Realizando um sonho – Sete dias em Tóquio – dia 1

O que acontece com quem visita Tóquio pela primeira vez? Um exercício de paciência e um medinho do desconhecido.

Narita Airport - Tóquio - Barbara Poplade Schmalz©

Pois é, do aeroporto até o hotel eu precisei de três horas. TRÊS HORAS!

Era trânsito? Não, era cagaço com falta de informação mesmo.

Meu hotel era bem longinho do centro porém, até que próximo do aeroporto Narita onde desembarquei. Teoricamente o caminho deveria demorar uma hora, mas como era de se esperar, tudo deu errado.

Eu tinha feito um papel com toda a rota bem explicada. Pegaria o trem Orange Express que tinha o caminho mais rápido e mais fácil até o hotel. 

O problema é que depois de pegar meu cartão PASMO (aquele que eu falei no texto passado), eu não tinha noção de onde era a entrada desse tal trem. Com certeza pelo jet leg porque, o corredor do trem é laranja como o nome, qualquer ser humano acha, masss eu não sou qualquer ser humano rs.

Fui falar com um atendente do metrô. Ele tinha um inglês com sotaque bem forte e só consegui salvar da conversa: demora muito; keisei line; ali; ir até a linha tal e trocar.

E lá fui eu e o marido para o lugar que ele nos mandou.

Só que nessa outra linha, eu não tinha noção nenhuma do caminho e, o nome da estação que o moço me passou não estava aparecendo no letreiro mesmo dentro do trem.

As estações passavam e passavam e nada de aparecer a que eu queria descer. 

No desespero falei para descermos ali mesmo e olharmos no mapa mais uma vez. De repente na plaquinha aparece a tal da estação e a previsão de chegada do trem? 20 minutos.

Observação: era o mesmo trem que estávamos antes.

placa metrô tóquio  - Barbara Poplade Schmalz©

Parados no meio do nada, cansados, eu perdida e com medo, o marido mal humorado me pentelhando com aquelas frases que não ajudam do tipo “mas você não tinha anotado todo o caminho?”.

Pra não chegarmos ao ponto de discutir logo nas primeiras horas em Tóquio, ele me solta uma belezura de frase:

 
 
– nunca ví tanto japonês, como nesse trem.
– Jura?

A segunda pérola: – se começar a chover, não olhe para cima. Vai que aparece o Godzilla…

 

Então, quer um conselho? Provavelmente você vai se perder no seu primeiro dia, mas não estrague a viagem, fale bobagens 🙂 .

A segunda merdinha que deu foi na hora de trocar de trem. Eu não sabia, mas passam várias linhas na mesma plataforma e algumas são Express e outras regulares.

Express quer dizer que o trem vai pular várias estações e adivinha qual ele pulou? Exatamente! A minha. ÓDIO.

Mas depois de tudo isso fomos acalentados com a primeira pessoa simpática e prestativa de nossas vidinhas de turista.

Perguntei para um menino que entregava panfletos na rua, se ele sabia onde ficava o hotel. 

Ele não falava inglês então, simplesmente nos levou até bem próximo de onde estávamos hospedados. Sinceramente, eu não sou desse tipo prestativo com turista não; no máximo faço gestos com a mão.

Me surpreendi e amei aquele desconhecido por uns instantes…

O quarto

Fiquei num hotel bem simples de uma rede internacional. E caso você queira ir para Tóquio sem gastar muito, prepare-se. É tudo pequenino! E quando eu digo isso é tipo pequeno de você ter que andar de lado no espaço entre a mesa e a cama ou de quase encostar seus joelhos na porta do banheiro ao sentar no troninho.

Aliás, não é a toa que eu estou chamando a privada de troninho. É tanta tecnologia que meu bumbum no trono da Rainha Elizabeth!

sanitário tóquio - privada - Barbara Poplade Schmalz©

É botão pra tudo quanto é lado e ao sentar começa a sair água fazendo um barulinho igual de xixi. 

Tem um motivo para isso: as japonesas tem vergonha do barulho que a mãe natureza nos deu ao mijar ou cagar no troninho então, todas as privadas soltam água ou tem um botão reproduzir o barulho do xixi. O que pra mim não faz muito sentido…

Se você tem vergonha do seu barulho de xixi, por que vai querer ele tocando incansavelmente ? Mas não tem que fazer sentido pois, sou apenas uma ocidental em terreno desconhecido.

Se vocês esperavam mais da minha pessoa, desculpe mas, a primeira coisa que eu fiz foi dormir umas horinhas.

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Passeio pelo bairro

nishikasai edogawa tóquio - Barbara Poplade ©

A região do lugar que me hospedei se chama Edogawa e a estação Nishikasai. Era um bairro bem simples, quase não tinha nenhum Gaijin na rua. Era uma imersão total no mundo nipônico.

O problema é que estávamos com fome e nenhum cardápio, em nenhum restaurante tinha tradução. 

Não me orgulho disso, mas fui comer um hambúrguer. Era feito nos padrões japoneses ou seja, não tenho a mínima idéia que carne era aquela, não tenho a mínima idéia que refrigerante era aquele, mas era gostoso.

Até no fast food japonês existe pessoas contratadas para pegar a sua bandeja e só o  Arigatô não era o mais usado, mas o mais fácil de marcar 🙂 . Todo mundo fala Arigatô Gozai-mas (é assim que se fala  tá?). Que é o “muito obrigado”.

Tomei meu primeiro banho de chuva de verão de 2015 e ví uma rua alagar.

 Quase fui atropelada por uma bicicleta hahaha.

Preciso explicar essa… 

Pra quem não sabe, no Japão o trânsito é ao contrário. Em Londres tem escrito no chão “olhe para a direita” para mostrar o quanto você é burro, no Japão, você descobre sendo atropelada.

Também tirei mais uma idéia retardada

da minha cabeça. Eu sempre achei que todas as ruas seriam abarrotadas, todos os prédios, em Tóquio inteiro, seriam gigantes.

Não é bem assim… Os apartamentos são apertadinhos, mas tem sacada com roupas penduradas e as ruas são bem normais. 

Nishikasai Tóquio - sanitário tóquio - Barbara Poplade Schmalz©

Algumas não tem calçada e apenas faixas de bicicleta e um espacinho pra carro, mas essas são as mais afastadas do centro annnd aquele mundo de gente é menos comum do que eu pensei.

Mais pra frente eu vou falar mais sobre isso.

Estou vendo aqui que já deu mais de 1000 palavras então, vou parar.

Beijo, outro, saionara.

 

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